quarta-feira, 30 de junho de 2010

Literatura e Futebol

Por João Oliveira,
A Jabulani tirou dois dias de folga, mas o De Férias Na Copa não. Nada de crônicas hoje, senão o blogueiro perde a esposa. Para passar o tempo de quem já não aguenta mais esperar para a bola voltar a rolar na África do Sul, uma seleção de livros relacionados a futebol. Se tiver algum repetido, me desculpem. Então segue a lista:

Anos 40- Viagem à Década Sem Copa/ Roberto Sander
Depois de três edições, a Copa do Mundo teve que ser interrompida por causa da Segunda Guerra Mundial. Nesse livro conhecemos os grandes times, seleções e jogadores da época. Heleno de Freitas, Jair da Rosa Pinto e Pirilo são alguns deles. Leitura indispensável para quem gosta de História e Futebol.

Sul-Americano de 1919- Quando o Brasil Descobriu o futebol/ Roberto Sander
O Brasil ainda não era o país de futebol, mas a competição disputada no país ajudou a popularizar o esporte por aqui.

Bola Fora- A História do Êxodo do Futebol Brasileiro/ Paulo Vinicius Coelho
Para quem pensa que é de hoje o fenônemo de exportação de jogadores brasileiros, o PVC nos ajuda a entender o processo desde o início.

Futebol & Guerra/ Andy Dougan
Fantástico livro, fantástica história. O Dínamo de Kiev era um dos melhores times europeus antes da Segunda Guerra e foi desmantelado com a invasão alemã. Mas ainda conseguiram dar uma boa lição nos nazistas.

O Berro Impresso das Manchetes/ Nelson RodriguesColeção de crônicas do Mestre Nelson sobre futebol. Imperdível.

Por Que Não Desisto/ Juca Kfouri
Reunião dos melhores textos do jornalista. Crônicas sobre política, corrupção e outras coisas que mancham o esporte bretão. Mas tem espaço reservado para coisas boas também.

Como Eles Roubaram o Jogo/ David Yallop
O processo de descaracterização do futebol que começou, segundo o autor, com a eleição de João Havelange para a presidência da FIFA é analisado neste livro.

Febre de Bola/ Nick Hornby
A saga de um torcedor do Arsenal durante uma temporada. Emoção, romance, realidade e muito futebol. Um dos bons livros que eu li sobre o esporte.

Goleiros - Herois e Anti-herois da Camisa 1/ Paulo Guilherme
Onde eles jogam não nasce grama, sofrem com as paradinhas, mas contam com esse bom livro.

Por hoje é só. E boa leitura!

terça-feira, 29 de junho de 2010

Sem fúria, mas com inteligência, Espanha avança na Copa

Por Rodrigo Pereira,


Fechando as oitavas-de-final tivemos o duelo da Península Ibérica, entre os dois paises colonizadores da América do Sul: Espanha e Portugal. De um lado, a equipe sensação com fama de amarelar, a Espanha. Do outro, os portugueses capitaneados por Cristiano Ronaldo. Ambos os países, cada um pelo seu motivo, cercado por expectativas e desconfianças. Um ficaria pelo caminho. E venceu aquele que jogou melhor. Espanha 1x0, gol de David Villa, artilheiro da Copa junto com Higuain da Argentina e Vittek da já eliminada Eslováquia. Com gol em impedimento. Mas seguiu adiante.


A equipe espanhola tem uma forma de jogar muito clara. Posse de bola, até encontrar uma brecha para entrar na área adversária. Mas falta algo. Falta um camisa 10. A fúria tem o melhor grupo de camisas 8,aquele jogador que marca e sai com qualidade, igualmente, na Copa: Xavi, Iniesta, Xabi Alonso e Cesc Fábregas desempenham a função de 2º/3º homem de meio-campo perfeitamente. Mas na hora do toque que deixa o atacante na cara, pra finalizar, falta algo. O destaque espanhol são os chutes de fora da área. As melhores chances foram desta forma. Sem dúvida, é um meio-campo muito forte. E possui dois bons atacantes:o excelente David Villa(até o momento, um dos destaques desta Copa) e em ascensão Fernando Torres. Ou seja, é uma equipe com um meio-campo excepcional, uma defesa normal(Puyol e Pique não comprometem, mas também não decidem) e um bom ataque. A falha espanhola, já observada nos seus jogos anteriores, é o último passe. Como suas defesa é normal, contra um time compacto, como Brasil e Alemanha, poderão ter problemas para furar bloqueios e problema para conter ataques. Principalmente pela lamentável fase de Iker Casillas nesta Copa. Contra paraguaios, ainda devem passar. Depois vem o primeiro teste de fogo dos espanhóis.

Isto porque, confirmou-se a visão vislumbrada anteriormente dos portugueses: o time é mediano. Somente Cristiano Ronaldo é um jogador acima da média. E Carlos Queiroz, que nunca foi inquestionável, não conseguiu montar uma equipe bem armada, como Dunga conseguiu, para ter apenas um jogador acima da média. Muito pouco para uma Copa do Mundo. Ainda mais quando este seu grande jogador não joga. Qualquer treinador com um mínimo de inteligência, vai colocar álguem para anulá-lo. E ai, descobrimos que Cristiano Ronaldo está abaixo de Messi. Que ele é um bom jogador, não um craque. Ele corre, tenta, busca. Mas não decidiu. Não inventou, não foi criativo, para fugir das marcações. Nesta Copa, poucos jogadores se destacaram nesta seleção. O lateral Fabio Coentrão foi bem. O goleiro Eduardo foi seguro. Bruno Alves também. Jogadores de defesa. O que, nesta Copa, ficou provado que só marcar não adianta. É necessário balançar as redes. O poder ofensivo português foi fraco. Enganoso na vitória sobre a Coréia do Norte. Sem Nani e Deco(ainda que eu não ache que ele fosse resolver algo), coube a Tiago criar. Ele é esforçado. E só. Além disso,criar pra quem?Simão, Hugo Almeida, Liedson. Nenhum deles correspondeu. Danny é limitado. Não deu liga. Agora, voltarão para Lisboa. Sentarão, comerão uns bolinhos de bacalhau e pensarão: O que fazer diferente para se consolidar como uma grande seleção?Senão, viverão sempre como uma seleção de lampejos. Desta vez não houve.

Paraguai acorda a tempo e vence o duelo dos sonolentos

Por João Oliveira,
Paraguai e Japão fizeram um duelo histórico na Copa. Num momento em que se discute o uso de tecnologia e mudanças de regras no futebol, as duas seleções inovaram, jogando apenas por 30 minutos.
Sim, os dois times se limitaram a tocar bola de lado e se defenderem durante os 90 minutos do tempo normal. Com pouquíssimas chances de gols, foi difícil acompanhar a partida. Por pouco não perdi a luta contra o sono, diferente de Michel Platini, que cochilou nas cadeiras do estádio, embalado pela sonolência das duas equipes.
Sem muita criatividade, os dois times esbarraram na eficiência de suas defesas. O Paraguai parece que tem um buraco no meio-campo. Boa zaga, bom ataque, mas falta imaginação na hora de armar as jogadas. Já os japoneses têm muita disciplina tática e a habilidade do Honda.
Na prorrogação, depois de muita bronca do técnico, os paraguaios partiram para a definição, mas faltou poder de chegada e um pouco de sorte. O time melhorou com as substituições. Cardozo, Barreto e Valdez entraram bem, mas não conseguiram balançar as redes japonesas.
O equilíbrio entre as duas seleções permaneceu até na disputa por pênaltis. Vitória dos paraguaios por 5x3. Pela primeira vez em sua história a seleção paraguaia chega às quartas-de-final de uma Copa do Mundo e deve parar por aí. Sem o atacante Cabañas, o Paraguai torna-se um time comum, esforçado, que não deve ir muito além disso.
O livro de hoje é um Guia de Sono Saudável, para quem sofre de insônia. Caso não encontrem o livro, sugiro também imagens de Paraguai e Japão.

Palpitaria- Segunda Fase 29/06

Por De Férias Na Copa

Uruguai, Gana, Argentina, Alemanha, Holanda e Brasil já estão lá. Quem mais será que entra no G-8 da Copa do Mundo 2010???
Paraguai x Japão
Apesar de ter passado em primeiro num grupo que tinha a Itália, o Paraguai não convenceu. A rigor apenas uma boa partida, contra a Eslováquia. É pouco para enfrentar um Japão que vem embalado como nunca. Num duelo com duas boas defesas, a Jabulani não deve encontrar as redes muitas vezes. Jogo com cara de decisão nos pênaltis. Mas se os paraguaios jogarem o que sabem, sem medo de arriscar, devem passar pelos japoneses.
Espanha x Portugal
Duelo de duas grandes seleções, mas a Espanha é favorita. Conta com mais jogadores capazes de decidirem, contra uma seleção lusa que necessita muito de um brilhareco de Cristiano Ronaldo, que ainda não jogou o esperado. Vale lembrar que a defesa portuguesa é a única invicta até aqui no Mundial. Se conseguir manter essa marca, Portugal tem grandes chances de passar de fase.

O freguês tem sempre razão e volta pra casa satisfeito. Ou apenas volta pra casa

Por Rodrigo Pereira,


Foi quase unânime a opinião de que o Chile seria o melhor adversário pro Brasil nestas oitavas-de-final. Uns falavam da sua suposta "freguesia", outros no estilo "El loco" de Bielsa. Este blogueiro que vos escreve concordava, mas não pelos argumentos apresentados. Os chilenos jogam. E deixam jogar. Seriam o teste verdadeiro para a defesa brasileira, ao mesmo tempo que dariam liberdade para que a trinca Kaká, Robinho e Luis Fabiano jogassem. Entretanto, os desfalques na já titubeante defesa chilena pesaram e a balança pendeu para o Brasil, desequilibrando o confronto. Resultado: Brasil 3x0 Chile.

O Brasil veio pro jogo com dois desfalques. Pela proximidade das datas, Felipe Melo não se recuperou a tempo da pancada no jogo contra Portugal. No seu lugar, entrou Ramires. E Elano ainda não se recuperou da lesão sofrida contra marfinenses. Em seu lugar, foi mantido Daniel Alves. As alterações diminuem a pegada do meio-campo brasileiro, mas aumentam o dinamismo e qualificam o passe. Ramires fez excelente partida. Daniel Alves começou errando muitos passes, mas evoluiu ao longo do jogo. Hoje ocorreu mais um passo na evolução de Kaká na Copa. E como o Brasil depende dele. Foi dele o passe para o gol de Luis Fabiano. Com boas arrancadas, foi bem nos contra-ataques do Brasil. Robinho desencantou em Copas, com bela finalização após grande jogada de Ramirez. E o primeiro gol foi do mais uma vez impecável Juan, depois de Lúcio varrer os marcadores para que ele subisse para cabecear, sozinho. Típico trabalho em equipe. Hoje Lúcio esteve muito bem também, ao contrário das últimas partidas. Destaque para a boa atuação de Michel Bastos também, finalmente se lançando ao ataque. Um jogador que joga como meia ofensivo no seu clube ter que desempenhar funções defensivas na seleção é tolice. Perde-se a sua maior arma e ainda compromete o jogador, pela falta de cacoete defensivo. Foi a melhor atuação brasileira na Copa. Jogando de forma segura e compacta, a seleção hoje fez jus ao status de favorita.

Já os chilenos, sentiram o peso de jogar com a zaga reserva, num jogo decisivo. Sem Gary Medel e Waldo Ponce, Bielsa lançou Pablo Contreras e Gonzalo Jara na equipe chilena. E, se a defesa já não erboa, ficou pior. Lenta e exposta, dava muito espaço para a seleção, apesar da insistência em se jogar pelo meio. Sem Matias Fernandez, e com Valdívia no banco, os chilenos ainda tiveram a volta de Humberto Suazo ao ataque. O carequinha é raçudo, mas esteve muito isolado, com Beausejour voltando para buscar jogo e Mark Gonzalez mais uma vez nulo em campo. Ao optar pelo esquema com dois volantes(Vidal e Carmona) e três atacantes, Bielsa sobrecarregou o bom Alexis Sanchez como responsável pela criação. E o mesmo, bem marcado, não produziu. Os chilenos, que na primeira fase mostraram muita ofensividade(mesmo que com poucos gols), contra o Brasil pouco chutaram depois do primeiro gol brasileiro. A volta de Suazo deveria resolver o problema de falta de gols. Não aconteceu. Paciência. A geração chilena é jovem. Pode e deve chegar na próxima Copa do Mundo mais forte e experiente. Terão 4 anos para tentar resolver seus problemas defensivos para enfim se tornarem uma equipe que pode almejar mais do que uma classificação a segunda fase.

O caminho chileno mais uma vez cruzou o brasileiro. Assim como na derrota da equipe de Salas e Zamorano em 1998, hoje também o problema chileno foi a defesa. Como o Brasil, historicamente, sempre teve também. Nesta Copa, a seleção corresponde defensivamente, apesar dos gols bobos. O grande teste vem agora, contra os eficientes holandeses. Confronto com história. Holandeses com Robben voltando a brilhar aos poucos. Assim como Kaká. E, nesta partida contra holandeses, o vencedor será aquele que fizer suas estrelas brilharem mais.

Bielsa esquece o Gardenal e leva vareio do Brasil

Por João Oliveira,
Para quem esperava um jogo complicado, o Brasil surpreendeu e fez o jogo se tornar simples. Sem Felipe Melo, contundido, Dunga escolheu Ramires para jogar como segundo volante. O jogador do Benfica deu mais velocidade na saída de bola brasileira, um dos maiores problemas do Brasil até então. Com a recuperação de Suazo, Marcelo Bielsa colocou o atacante no lugar de Valdívia. A alteração daria ao time chileno uma referência forte no ataque.
Mais do que esquemas táticos, um jogo de futebol é decidido pela disposição e postura dos atletas. Não, não vou cair na mesmice de dizer que o Chile tremeu para o Brasil. Mas, enquanto nosso adversário vinha para cima sem muita convicção, o Brasil pressionava a saída de bola da zaga adversária, que jogou desfalcada. O toque de bola refinado do time andino parou na defesa brasileira que não deu espaço para os três atacantes chilenos. Sem Valdívia, o Chile perdeu uma referência na ligação entre defesa e ataque.
Já o Brasil mostrou muita vontade e contou com boas atuações individuais. Juan, Gilberto Silva e Ramires foram destaques, apesar do caráter discreto de cada um na equipe. O time chileno, muito nervoso, cumpriu sua vocação ofensiva, mas contou com uma boa dose de falta de confiança e fraca atuação dos pontas Sanchéz e González.
A loucura de Bielsa, que chegou a assustar a Espanha, não foi páreo para o time de Dunga. Depois de um gol em jogada de bola parada, a Seleção teve mais espaços para explorar os contra-ataques e ampliar o marcador. O domínio brasileiro na partida e no placar desmoralizou o bom trabalho feito pelo técnico argentino.
A facilidade com que a seleção brasileira venceu impressiona. Os brasileiros colocaram o Chile no seu devido papel de saco de pancadas. E o mais importante, chega com muita moral para o jogo contra a Holanda pelas quartas-de-final. Por mais fraca que tenha sido a atuação dos chilenos, nunca é muito lembrar que o Brasil com autoridade um bom time de futebol.
Resta saber se esse desempenho, o melhor do Brasil até agora no Mundial, vai se repetir contra os holandeses, que não devem nos dar tanta colher de chá quanto nossos fregueses chilenos.
A fama de mau do Brasil, que assustou os chilenos, é fichinha em relação às histórias do Tremendão Erasmo Carlos. Alguns desses casos estão na auto-biografia do cantor: Minha Fama de Mau.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Nova Holanda vem pesadona para as Quartas

Por João Oliveira,
Mais uma vez a Holanda venceu na Copa, assim como venceu todos os jogos das Eliminatórias. É a primeira vez na sua história, que a seleção europeia vence as quatro primeiras partidas de um Mundial. Com mais uma atuação bastante sóbria, a Laranja Mecânica jogou com a mesma tranquilidade da primeira fase, deixando o duelo pelas oitavas parecido com um simples jogo de fase classificatória.
Essa eficiência toda veio depois de uma mudança de estilo do futebol holandês. De vistoso, técnico e ofensivo, o estilo de jogo da Holanda passou a ser pragmático, mas não improdutivo. A defesa está mais bem postada, os jogadores sabem o que fazer dentro de campo.
A Eslováquia fez muito mais do se esperava dela. Talvez a maior zebra da Copa, ao eliminar os italianos. Mas é um time fraco, com muita transpiração e pouco pensamento. O gol de Vittek no final foi um prêmio ao esforço do time eslovaco, que tentou, mas não chegou a ameaçar os holandeses, que venceram sem sustos.
Já o time da Holanda é mais do que um time certinho. Robben, cada dia mais recuperado da lesão, e Sneijder fazem a diferença em uma equipe que preza pela organização. O camisa 11 do time Laranja deitou e rolou pelo lado esquerdo da defesa eslovaca, com direito a um passe espetacular de Sneijder no primeiro gol. O tão esperado show coletivo dos holandeses ainda não aconteceu. Talvez nem apareça, mas é provável que tenhamos alguns solos protagonizados pela dupla.
Com um time muito bem arrumado e o auxílio luxoso da dupla de carequinhas, a Holanda ganha cada dia mais força, e entrou de vez no grupo dos favoritos para o título. O caneco que não veio com a velha Laranja Mecânica, pode vir agora com uma laranja orgânica, uma Nova Holanda. Talvez menos doce, mas muito mais saborosa quando provada com a Taça Fifa a tira colo.
Por causa do trocadilho do título e de um filme que assisti ontem a dica de livro é: Cidade Partida, de Zuenir Ventura. Para quem não conhece, Nova Holanda é uma das favelas do Complexo da Maré. Já o livro é essencial para cariocas de todos os cantos, de todos os complexos.