sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Repetecos e emoções à vista na UCL


Por João Oliveira,
Nem tudo foi novidade no sorteio que definiu os confrontos das oitavas-de-final da Uefa Champions League. Dois duelos que aconteceram na temporada passada vão se repetir na abertura da fase de mata-mata da atual competição. Pela segunda vez consecutiva Lyon e Real Madrid vão se enfrentar por uma vaga nas quartas-de-final da Champions. Derrotado pelo Lyon na última edição do torneio, os espanhóis contam com a estrela do treinador José Mourinho para afastar o fantasma francês.
Outro duelo com ares de revanche é Bayern de Munique e Inter de Milão, que fizeram última final da UCL. Mal em suas competições nacionais, as duas equipes têm a oportunidade de salvar suas temporadas através do torneio continental. Principalmente no caso dos italianos, onde até o técnico Rafa Benítez balança no cargo.
Outro reencontro interessante vai acontecer nas partidas entre Barcelona e Arsenal. Os torcedores dos Gunners ainda devem ter pesadelos com as quartas-de-final e o show de Messi, que foi muito bem definido pelo treinador rival, Arséne Wenger, como um “jogador de Playstation”. Isso sem contar na final de 2005/2006, quando o Barça levou a melhor mais uma vez.
Dos outros confrontos, Milan e Tottenham prometem dois jogos bastante equilibrados. Enquanto os italianos nem precisam de apresentações em termos de títulos conquistados, os ingleses ainda buscam uma sorte maior na Champions League.
Chelsea, Manchester United e a Roma, apesar de não ter passado em primeira no grupo, são favoritos nos confrontos contra Copenhague, Olympique de Marseille e Shakhtar Donetsk, respectivamente. Já Valencia e Schalke fazem partidas mais equilibradas, com um leve favoritismo para os espanhóis.
Prognósticos e previsões à parte, a UCL vai esquentar de vez e nos presentear com ótimos jogos a partir de fevereiro de 2011.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Literatura e Futebol (04/12/2010)


Por João Oliveira,
O Fluminense se prepara para conquistar amanhã mais um título brasileiro. Em meio a uma discussão se o clube das Laranjeiras conquistará o bi ou o tricampeonato, a dica de leitura de hoje fala daquele que é considerado o maio time da história do Flu.
A equipe formada pelo então presidente Francisco Horta na década de 70 foi apelidada de Máquina Tricolor. O livro do autor e compositor Nelson Motta, torcedor do clube, “Fluminense- A Breve e Gloriosa História de uma Máquina de Jogar Bola” foge do senso comum de obras que contam a trajetória de uma instituição esportiva desde o início.
O time de Rivelino & Cia não foi campeão brasileiro como esse de Conca tem tudo para ser. Mas até hoje, a Máquina Tricolor é lembrada por torcedores de todos os clubes. Você tricolor, que se prepara, já não tem mais unhas e não consegue dormir. Seus problemas acabaram. Nada melhor do que mais uma dose de Fluminense para quem conta as horas para a confirmação de um título que não vem desde 1984.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Reforços de peso embalam o sonho olímpico


Por João Oliveira,
O novo técnico da seleção brasileira Sub-20, Ney Franco, divulgou ontem a lista de jogadores convocados para o Sul-Americano da categoria, que vai ser disputado em janeiro, no Peru. Além da hegemonia do continente, o torneio garante duas vagas para a Olimpíada de Londres, em 2012, e quatro para o Mundial Sub-20 da Colômbia, também em 2011.
Entre os atletas relacionados, os destaques são Neymar, do Santos, e Philippe Coutinho, da Inter de Milão, duas figuras já constantes na seleção principal, lugar onde jogadores desse tipo deveriam permanecer. É inegável que são dois baitas reforços para Ney Franco e na corrida brasileira pela tão sonhada medalha de ouro olímpica no futebol, porém as seleções de base devem servir para descobrir e formar novos talentos.
Para essa função, o treinador mineiro caiu como uma luva na CBF. Tem experiência de ter comandado equipes como Flamengo, Botafogo, Cruzeiro e Coritiba, além do perfil de quem sabe trabalhar com garotos. Trabalhando em sintonia com Mano Menezes, Ney Franco pode até conseguir revelar jogadores para a seleção principal.
Nomes como Diego Maurício, do Flamengo, e Alex Sandro, do Santos, já tiveram destaque no Brasileirão, e ganharam uma chance de ouro nesse estágio para o time de cima do Brasil. O São Paulo, provando sua nova fase de aproveitamento das divisões de base, vai ceder quatro jogadores para a seleção. O curioso é que nenhum dos clubes que brigam pelo título nacional teve atletas convocados.

Confiram a lista completa:

Goleiros
Aleksander (Avaí)
Gabriel (Cruzeiro)
Milton (Botafogo)
Zagueiro
Alan (Vitória)
Bruno Uvini (São Paulo)
Juan (Internacional)
Romário (Internacional)
Saimon (Grêmio)
Laterais
Danilo (Santos)
Rafael Galhardo (Flamengo)
Alex Sandro (Santos)
Gabriel Silva (Palmeiras)
Meias
Alan Patrick (Santos)
Lucas (São Paulo)
Oscar (Internacional)
Philippe Coutinho (Inter de Milão)
Casemiro (São Paulo)
Fernando (Grêmio)
João Pedro (Palermo)
Zé Eduardo (Parma)
Atacantes
Diego Maurício (Flamengo)
Henrique (Vitória)
Lucas Gaúcho (São Paulo)
Neymar (Santos)
William José (Grêmio Prudente)

Chocolate catalão


Por João Oliveira,
Baile, passeio, chocolate, sapeca-iáiá, ou simplesmente uma aula de futebol. É difícil definir a atuação do Barcelona na última segunda-feira no clássico contra o Real Madrid, no Camp Nou. O modo como joga o time de Pep Guardiola parece simples: reter a posse de bola e fazer a defesa adversária se desarrumar com tantas trocas de passes.
Tal como uma roda de bobo, o Real passou toda a partida sem nem ver a cor da pelota. O time merengue não conseguia sair jogando e sofria com a marcação adiantada do adversário. Quando conseguiam chegar na defesa do Barça, os madrilenos paravam na dupla Piqué e Puyol.
Depois de um final de semana em que só discutimos o “entrega-ou-não-entrega” ou as malas brancas e suas matizes, o clássico espanhol disputado numa segunda-feira veio muito a calhar. Os 5 a 0 saíram baratos para os visitantes, tamanho volume de jogo e oportunidades perdidas pelo Barcelona. Ainda mais diante de um Real Madrid completamente apático, sem saber como reverter o quadro, depois de levar dois gols em menos de 20 minutos de jogo.
Se a grande virtude de Mourinho na temporada passada foi armar um time com bastante consistência defensiva, nesse primeiro grande teste à frente de seu novo clube, o treinador português pôde constatar as deficiências do seu time nesse setor. Os defensores do Real tiveram que apelar para a violência para impedirem uma goleada ainda maior de Messi & Cia.
Aliás, a situação do craque argentino é bastante curiosa. Os estatísticos apontam que La Pulga jamais marcou um gol em um time treinado por José Mourinho, porém a atuação do jogador deu um pontapé nos números, Com passes, dribles e arrancadas capazes de deixar qualquer beque louco, Lionel fez lembrar a frase de Fernando Calazans sobre o fato de Zico nunca ter ganhado uma Copa do Mundo: “Azar da Copa do Mundo”.
Que Messi continue a vida inteira sem fazer gols em equipes dirigidas pelo velho “Mou”, mas que continue a nos brindar com seu farto repertório de bola. Quanto à Mourinho, o português ainda tem tempo de mexer e melhorar o Real Madrid, e inclusive vencer o Barcelona no returno do Campeonato Espanhol. Mas vai ser difícil vermos o time catalão ser parado por alguém, ainda mais depois de uma goleada histórica sobre o maior rival.

sábado, 20 de novembro de 2010

Literatura e Futebol (20/11/2010)


Por João Oliveira,
A indicação de hoje tem tudo a ver com a data. Dia 20 de Novembro se celebra o Dia da Consciência Negra. Já que falamos neste blog sobre um esporte em que o Rei é negro, nada mais justo do que homenagear aqueles que ajudaram a construir o futebol brasileiro.
O Negro No Futebol Brasileiro”, de Mário Filho, é talvez a principal obra que estuda como um esporte vindo da Inglaterra se tornou na maior expressão popular do Brasil. De diversão da elite no início, o futebol foi reinventado pelas classes operárias.
A obra de Mário Filho é fundamental para quem pretende pesquisar e entender sobre o início da popularização do futebol no país. Não é à toa que, depois da morte do autor, seu nome batizou o então Estádio Municipal do Rio de Janeiro. Pois é, o famoso Maracanã assina como Estádio Mário Filho.
Apesar de ser um livro antigo, vale à pena dar uma olhada. É livro de cabeceira para quem trabalha ou é apaixonado por futebol. Fica a dica. Boa leitura.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O Renascimento francês


Por João Oliveira,
Depois de duas campanhas muito ruins no último Mundial, Inglaterra e França saíram da África do Sul pela porta dos fundos. Enquanto os ingleses optaram por um processo de renovação gradativo no English Team, os franceses partiram para mudanças mais radicais e aparentemente acertaram na medida.
O time de Laurent Blanc dominou a Inglaterra de Fabio Capello em pleno estádio de Wembley. Em uma atuação surpreendente, os visitantes fizeram uma verdadeira blitz em cima dos donos da casa, marcando no campo de defesa do adversário e dificultando muito a saída de bola inglesa.
O 1x0 no placar da primeira etapa ficou barato para a Inglaterra. Sem Lampard e Rooney, e com Gerrard bem marcado, os britânicos ficaram sem muitas alternativas de jogo e foram postos na roda pelos franceses. Malouda, Nasri, Valbuena e Benzema sobraram em campo. Com os três primeiros encostando no ataque, o atacante do Real Madrid fez um gol e foi bem no comando de ataque francês, mostrando que pode se recuperar da fase ruim vivida no clube espanhol.
Na segunda etapa a França ampliou o placar, mas mudou um pouco de postura, marcando mais atrás e apostando nos contra-ataques. Com as substituições realizadas por Fabio Capello, a Inglaterra melhorou, conseguiu ficar mais tempo no campo de ataque e levar perigo ao gol de Lloris. Porém o gol de honra só saiu com o grandalhão Peter Crouch, uma espécie de talismã do English Team.
Mesmo com cinco minutos de acréscimo, a seleção inglesa pressionou, mas não conseguiu empatar a partida. No final até que o placar ficou de bom tamanho para a Inglaterra, que poderia ter levado uma goleada, caso os franceses tivessem caprichado mais, principalmente no primeiro tempo.
No caso dos Le Bleus, a vitória fora de casa sobre um adversário tradicional devolve muito do orgulho perdido na Copa do Mundo. Além da confiança ganha, a França voltou a mostrar força e um time competitivo para a seqüência das Eliminatórias da Euro 2012. Já a Inglaterra vai precisar de muito trabalho e da garra demonstrada no segundo tempo do amistoso de hoje.

Com a Pulga atrás da orelha


Por João Oliveira,
Desde que chegou à seleção brasileira, o treinador Mano Menezes teve, enfim, sua verdadeira prova de fogo. Afinal não é todo dia que se enfrenta o seu maior rival. Do outro lado do banco de reservas, Sergio Batista também deveria estar com frio na barriga ao encarar o Brasil logo na sua primeira partida depois de ter sido efetivado como técnico da Albiceleste.
Com exceção dos machucados, as duas equipes entraram em campo com seus principais nomes. Porém o que se viu foram dois times cautelosos, sentindo carência de jogadores como Pato e Tevez. O Brasil até que começou um pouco melhor, com tabelas entre Robinho, Ronaldinho e Neymar, mas sofrendo sem um atacante de referência na área. Vale ressaltar que Ronaldinho não jogou mal, mas que vai ter que encarar a forte concorrência de Philippe Coutinho e Paulo Henrique Ganso para garantir sua vaga de titular.
Por outro lado, a Argentina, que ainda não conseguiu renovar sua linha de defesa, já começa a ganhar corpo, principalmente do meio para frente. Di Maria tomou conta da posição e Pastore mostrou que pode ser muito útil à equipe. Nossos hermanos precisam urgentemente de soluções para suas laterais. Se do lado direito Zanetti não tem mais o mesmo vigor, no esquerdo Heinze nunca foi a melhor opção.
Apesar das boas jogadas e chances de gols dos dois lados no primeiro tempo, o empate sem gols caminhava a passos largos pela segunda etapa, até que num vacilo de Douglas, que entrou na vaga de Ronaldinho, os argentinos roubaram uma bola que caiu nos pés de Messi. O craque do Barcelona precisou de poucos segundos para furar a defesa brasileira e bater o goleiro Victor, com um chute no cantinho.
Foi o primeiro gol sofrido pela Seleção na Era Mano Menezes. E logo para a Argentina. A derrota brasileira não é suficiente para abalar o trabalho do comandante gaúcho, mas no duelo entre dois treinadores ainda em afirmação em seus cargos, o argentino vai entrar em 2011 com mais moral. Já o treinador tupiniquim pode se orgulhar de ter boa parte de sua equipe definida. Mas vai passar o réveillon com La Pulga atrás da orelha.